Norospar reúne funcionários para falar sobre doação de órgãos

15/09/2021 Norospar

SETEMBRO VERDE

 

Colocando em prática o mote da campanha “Doação de Órgãos – Fale sobre isso”, o Hospital e Maternidade Norospar reuniu, no dia 14 de setembro, os colaboradores de diversos setores, para uma palestra, com o objetivo de esclarecer como é tratado o assunto na unidade hospitalar e reforçar a importância do tema, especialmente em alusão ao Setembro Verde – mês de incentivo à doação de órgãos.

“No Brasil, mais de 30 mil pessoas aguardam por um órgão. Imagina se fosse você tendo que viver a incerteza de quanto tempo isso pode demorar”, disse Danusa Goin, que preside a comissão intra-hospitalar da Norospar, e conduziu o bate papo, convidando à reflexão.

 

Na oportunidade, Danusa pontuou cada fase que envolve a doação, destacando a importância de dar ciência à família sobre a intenção de ser doador de órgãos. “Quem autoriza a doação é a família e não existe nenhum tipo de documento que se possa deixar assinado para autorizar a doação.  Por isso a pessoa precisa informar se é ou não doador, para facilitar o processo de doação em caso de morte”, explicou.

 

Fases do luto

No encontro com os funcionários foi enfatizada a necessidade empatia, de atitudes éticas junto aos familiares do paciente que foi a óbito, paciência no tratamento, no cuidado ao falar, e até no silenciar em respeito ao momento vivido por eles, de forma a promover o melhor acolhimento possível. “Diante da morte de um ente querido, os familiares passam por diversas fases até a decisão pela doação, mas independentemente de ser concretizada ou não, a dor da perda é uma realidade”, ponderou a enfermeira.

 

A notícia de falecimento envolve intenso desgaste emocional até que a informação seja processada pela família. A dor da perda, seguida da informação de que o paciente é um potencial doador de órgãos gera muitas dúvidas. “A família tem que primeiro entender a morte para depois falar de doação. Não adianta falar de doação se a mãe está na fase de negação. E temos que avaliar tudo isso no momento da entrevista”, explica Danusa, completando que cada pessoa recebe e processa a informação de forma muito peculiar, cabendo à equipe que vai lidar com isso, o preparo para entender a negação, a revolta, a barganha, a depressão, até a aceitação, tudo como fases do luto.

 

Quando a família já foi informada, em vida, do desejo do paciente em ser doador de órgãos, tudo fica mais fácil, pois é uma questão de realizar uma vontade expressada. “Não queremos causar conflito, queremos que a família se una, que haja o consenso, e que a doação seja feita por amor. Por isso é importante falar sobre isso”, reforça a enfermeira.

 

Recusa familiar

Apesar do preparo e empenho da equipe, nem sempre as famílias autorizam a doação. Muitos mitos ainda cercam o transplante de órgãos. Alguns deles são:

·         Crença religiosa – embora nenhuma religião proíba a doação;

·         Espera de um milagre – a família sempre acredita na reversão do quadro do paciente;

·         Não compreensão do diagnóstico de morte encefálica;

·         Não aceitação da manipulação do corpo;  

·         Medo da reação da família;

·         Desconfiança na assistência e o medo de comércio de órgãos;

·         Desejo do paciente, manifestado em vida, de não ser doador;

·         Medo da perda do ente querido.

 

Danusa explicou aos funcionários que na entrevista com a família, todos esses pontos são levantados e esclarecidos, desde a declaração de morte encefálica - pontuando como se dá essa declaração e tudo que envolve a situação -  as causas da morte, os exames realizados para comprovação do óbito, as cirurgias de retirada dos órgãos e reconstrução do local, a conversa com a família, e a definição ou não pela doação.

 

Estatísticas de doação

No Brasil, mais de 30 mil pessoas aguardam por uma doação de órgãos. No Paraná são mais de 2 mil pessoas.          

O Estado é líder no País, com a marca de 41,5 doações de órgãos por milhão de população (pmp), atingida em 2020. Registros do Sistema Estadual de Transplantes (SET/PR) apontam que só nos primeiros cinco meses de 2021 foram 34 doações pmp.

Foi o Estado que mais realizou transplantes de rim e o segundo em transplantes de fígado, com uma média de 40,6 e 20,1 transplantes pmp, respectivamente.

Até maio deste ano, foram contabilizadas 120 doações de rim (25,2 pmp) e 53 doações de fígado (11,13 pmp). No ano passado, o Paraná teve 1.162 notificações de potenciais doadores, enquanto em 2021 os dados apontam 533.

 

CIHDOTT em ação

Todos os registros dependem de informações da Comissão Intra-Hospitalar de doação de Órgãos e Tecidos para Transplante – CIHDOTT –, que existe em todos os hospitais, sendo composta por médicos, enfermeiros, assistente social, psicóloga.

A equipe trabalha em conjunto, toma conhecimento de todos os óbitos que acontecem em qualquer setor do hospital, a atua no momento de acolhimento da família e de protocolo de morte cerebral, informando em tempo real aos setores competentes no Estado sobre todos os pacientes graves, internados na UTIs e Pronto Socorro, e enviando relatório mensal de acompanhamento dos casos.

 

Além do bate-papo com os funcionários, a Norospar vai realizar uma ação de esclarecimento à população, no dia 21, a partir de 8:30 da manhã, em frente ao hospital, com entrega de panfletos sobre doação de órgãos.

 

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